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08 abril, 2016 Body (ou os gemidos melancólicos de Anenon)

Corpos nus e entrelaçados, numa dança sensual... Ou sexo dançante...

Música electrónica a lembrar Blade Runner e com a nostalgia de Philip Glass, apimentada com corpos nus e entrelaçados, num desalinho sensual como quem faz sexo como dança... Ou como quem dança como faz sexo...

Este videoclip foi realizado pelo cineasta Ramon Haindl e ilustra a canção "Body" do artista de música electrónica norte-americano Anenon, ou do produtor e saxofonista Brian Allen Simon, como se lhe quiser chamar.

"Body" é um trabalho do álbum "Petrol", o terceiro do artista baseado em Los Angeles, depois de "Inner Hue", o álbum de estreia, lançado em 2012, e de "Sagrada", de 2014.

A música mistura sons de sintetizador com os apitos de carros distantes e os gemidos melancólicos do saxofone de Anenon, num ritmo a lembrar a banda sonora de Vangelis para o filme "Blade Runner" ou ainda a sensibilidade do piano de Philip Glass.

As imagens vêm ao estilo de "O rapaz do prazer de Hannah", com a visão de Ramon Haindl, fotógrafo e cineasta baseado em Frankfurt, a complementar na perfeição a música com um ritmo corporal próprio. Para quem quiser conhecer mais trabalhos sobre este artista que deu os primeiros passos no mundo da arte a desenhar raparigas e aviões - tem tudo a ver, convenhamos! -, é só espreitar o blogue de fotografia Cult que ele próprio dirige com a namorada.

De Los Angeles com amor e ódio

Lançado a 4 de Março, com um ritmo de música ambiente e de jazz electrónico, "Petrol" é um trabalho inspirado e sobre Los Angeles, não aquela cidade que conhecemos através dos filmes de Hollywood e das séries de televisão, mas a do dia-a-dia de quem lá vive, da energia frenética das auto-estradas e também do silêncio solitário das primeiras horas da manhã.

As músicas do álbum cresceram e formaram-se a partir de uma série de sessões de improviso com amigos como a violinista Yvette Holzwarth e o clarinetista Max Kaplan e com o colaborador do costume, o baterista Jon-Kyle Mohr, mas também resultam de intenso trabalho a solo de Anenon, no estúdio, dando eco dessa dualidade entre o trânsito apinhado e a solidão matinal.

O ideal de "Petrol" será particularmente percebido por aqueles "los angelenos" que "entendem a beleza da distância e a consistênca da irregularidade", como explica poeticamente Anenon. Há quem diga que é uma espécie de carta de amor-ódio a Los Angeles!

Certo é que "Petrol" rompe com a linha musical anterior do saxofonista, soando a um trabalho emotivamente mais genuíno, embora mais desarranjado, porque também mais abstracto e mais livre, reflectindo a "serenidade" e a "loucura" do "isolamento dos carros" na auto-estrada.

Anenon explica que o álbum foi inspirado na experiência "zen" de estar numa passagem pedreste por cima da auto-estrada.

"É este lugar desconhecido e estranho onde milhares de pessoas passam, mas sem nunca lhe prestarem atenção. Eu ia até lá e meditava nos sons dos carros. Era electrizante, mas também calmo.

A experiência fez-me pensar sobre a dicotomia de andar versus conduzir em L.A.. Viver aqui coloca-te na tua própria bolha emocional, onde podes não interagir com pessoas por dias a fio. Ficas perdido na tua própria cabeça."

"Petrol" é feito exclusivamente de sons, quase sem palavras - apenas, nos primeiros segundos, da música "Panes" se ouve uma voz humana, a dizer "maybe" ["Talvez" na tradução para português], desaparecendo depois nos acordes, como um pensamento a abafado pelo trânsito de Los Angeles.

Gina Maria

Gina Maria

Moça católica e de boas famílias, apaixonada por secretas fantasias, eternamente interessada em mais, mais, mais...

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