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28 novembro, 2018 Entrevista com um operador de bordéis na Nova Zelândia

Peter é dono de vários estabelecimentos onde se exerce trabalho sexual de forma legal.

O Classificados X esteve à conversa com Peter, dono de vários bordéis e casas de strip em Dunedin, a segunda maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia. O trabalho sexual é legal neste país, e Peter fala dos direitos, deveres e desafios da actividade.

Entrevista com um operador de bordéis na Nova Zelândia

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ClassificadosX – Como é que o Colectivo de Prostitutas da Nova Zelândia colabora com os seus bordéis?

Peter – Nós contactamo-las sempre que temos dúvidas. Elas fornecem-nos informações que são muito úteis para as mulheres. Como têm financiamento [do Estado] para produtos como preservativos e lubrificantes, conseguimos coisas muito baratas através delas, o que faz muita diferença para as raparigas.

ClassificadosX – Que implicações tem a Lei de descriminalização no seu negócio em termos de saúde, impostos e segurança?

Peter – Eu comecei [nesta área de negócio] em 2005, depois de a Lei ter entrado em vigor, e por isso não sei muito sobre como eram as coisas antes. Depois de conversas com pessoas que estavam envolvidas nos bordéis antes, dizem que, obviamente, houve uma grande mudança. Eu tenho três bordéis aqui em Dunedin, e nós temos de cobrar dinheiro aos clientes para que as mulheres possam ganhar como se estivessem no sector privado [a trabalhar por conta própria]. Temos que ficar com uma parte, para pagamento de despesas, também para lidar com a sua segurança. O problema que eu vejo, no presente, para as mulheres que trabalham por conta própria, é o medo, é que muitas trabalham a partir das suas casas, o que é um grande risco de segurança porque as pessoas sabem onde vivem, e podem aparecer a qualquer momento, bater à porta a pensar que podem receber um serviço. Num ambiente comercial, sabem que isso não acontece.

ClassificadosX – Quantas profissionais trabalham nos seus estabelecimentos? 

Peter – Depende… As mulheres vão mudando… No máximo, podemos ter 20, no mínimo 10. 

ClassificadosX – Como é a relação entre o seu negócio e as autoridades locais? 

Peter – Apesar de a nível nacional a prostituição ser legal, a nível local, as Câmaras podem regular onde os bordéis ou espaços de trabalho [sexual] podem ser estabelecidos. E podem mesmo gerir o que as pessoas podem ou não fazer. Como exemplo disso, onde nós estamos é uma área geográfica muito, muito restrita no meio da cidade. Temos uma actividade legalizada e nessa área, não há imobiliário disponível, o que, basicamente, significa que não se podem estabelecer mais do que seis estabelecimentos. Mas não é necessária nenhuma licença especial, para além de uma licença pessoal para o operador que gere o negócio.

ClassificadosX – E quanto à relação com a polícia?

Peter – Na minha experiência, nunca tive problemas com a polícia. Sei que costumava haver problemas com o facto de andarem de olho no que se passava nos bordéis, antes do meu tempo [no negócio]. Mas eu tenho uma boa relação com a polícia.

ClassificadosX – Quais são os grandes desafios que esta área de negócio enfrenta no futuro próximo?

Peter – O desafio que vejo, como dono de um bordel no presente, que se mantém pelo menos nos últimos 10 anos, é o movimento dos clientes que querem ir a um estabelecimento comercial competir com o ir a um espaço privado. Vai ser sempre a grande questão. Pode mudar muito em breve. Algumas pessoas vão sentir-se bem num espaço comercial, enquanto outras não, vão tentar ser o mais discretas possível e preferir ir para o sector privado. Não penso que haja implicações de legislação para breve que nos afectem de alguma forma, por isso, este será o grande desafio que qualquer bordel terá que enfrentar, não apenas a competição com outros estabelecimentos comerciais, mas a grande competição com o sector privado, as mulheres que fazem dinheiro dessa forma.

Gina Maria

Gina Maria

Moça católica e de boas famílias, apaixonada por secretas fantasias, eternamente interessada em mais, mais, mais...

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