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04 outubro, 2018 "Somos monogámicos porque somos pobres"

É o que defende um sexólogo que diz que a pele é o verdadeiro Ponto G.

O verdadeiro órgão sexual dos seres humanos é a pele e nenhum de nós nasceu para ser monogámico. Quem o defende é o especialista espanhol em Sexologia Manuel Lucas Matheu que diz que as pessoas só são monogámicas porque são pobres.

A monogamia não faz parte da natureza humana, de acordo com Manuel Lucas Matheu, presidente da Sociedade Espanhola de Intervenção em Sexologia e membro da Academia Internacional de Sexologia Médica. Este sexólogo de 69 anos defende em entrevista à BBC News Mundo, que os seres humanos só são monogámicos porque são pobres.

"As espécies animais que são monogámicas são aquelas que não têm tempo, nem recursos suficientes para se poderem dedicar a cortejar. É o caso das cegonhas, que são monogámicas porque têm que empregar muita energia, todos os anos, nas longas migrações que realizam. E os animais que vivem em locais onde é mais difícil encontrar alimento tendem a ser mais monogámicos.

Nós somos monogámicos porque somos pobres. É só observar a nossa sociedade para compreender: os ricos não são monogámicos, na melhor das hipóteses são monogámicos sequenciais - ao longo da vida, têm vários parceiros consecutivamente, um atrás do outro.

Os que não são ricos não podem ser monogámicos sequenciais, porque divorciar-se ou separar-se causa um enorme dano económico. E a poligamia também é muito cara."

Matheu defende, ainda, que o "sexo é importantíssimo", pois "determina em grande medida a nossa qualidade de vida e é a origem de vários comportamentos".

E dá o exemplo das Ilhas Carolinas, na Micronésia, onde levou a cabo um estudo, concluindo que "as sociedades mais pacíficas são aquelas onde a moralidade sexual é mais flexível e onde o feminino tem um papel preponderante". "Em contrate, as sociedades reprimidas e nas quais as mulheres têm papel secundário, como as sociedades ocidentalizadas em que vivemos, são mais agressivas", constata.

Nas Ilhas Carolinas, numa comunidade conhecida por chuukies, "a mãe é quem determina o poder económico" e, "ao contrário do que ocorre na sociedade ocidental, em que se dá uma enorme importância ao tamanho do pénis, ali o que importa é o tamanho dos lábios menores da genitália das mulheres".

"Enquanto no Ocidente a menstruação era considerada algo impuro, lá ela é considera vantajosa e é empregada até para fins medicinais", acrescenta. E o papel da mulher também tem uma relevância preponderante e fundamental no sexo entre os chuukies, como nota o sexólogo.

"A mulher é a voz mais forte nas relações sexuais. É ela a responsável pelos encontros sexuais. Os homens aproximam-se gatinhando nas cabanas das mulheres, solteiras e casadas, e introduzem nas cabanas pedaços de pau talhados que permitem à mulher identificar quem é cada um deles.

Se a mulher quiser ter relações sexuais naquela noite, ela retém na cabana o talo correspondente ao homem que lhe interessou. Isso significa que ele está autorizado a entrar na cabana. É assim todas as noites.

Ali não existe ciúme, nem o conceito tradicional de fidelidade. A moralidade sexual é muito mais flexível que aqui. Ao mesmo tempo, essa é uma sociedade muito pacífica, enquanto a sociedade ocidental é muito agressiva."

Pele é verdadeiro Ponto G de homens e mulheres

O sexólogo também diz que o verdadeiro órgão sexual dos seres humanos é a pele, lamentando que a nossa sociedade capitalista "concentrou a sexualidade nos órgãos genitais para que o resto do corpo pudesse focar-se em produzir para o sistema".

"Os seres humanos têm a pele mais sensível de todos os mamíferos, mas aproveitamo-la muito pouco na nossa cultura. Hoje em dia, acariciamos-nos muito pouco. As famílias dedicam-se a acariciar o cão e o gato, mas não se acariciam.

A pele é o verdadeiro ponto G, o grande ponto sexual do ser humano. E, além de tudo, a pele funciona desde o nascimento até à morte. Mesmo que tenhamos uma doença terminal, a pele continua a funcionar."

Assim, Matheu defende que a pornografia tem que mudar de uma actualidade em que é "absolutamente genitalizada" e em que "reforça a ideia de sexo como ginástica", "para se converter numa pornografia de pele".

Gina Maria

Gina Maria

Moça católica e de boas famílias, apaixonada por secretas fantasias, eternamente interessada em mais, mais, mais...

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