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17 janeiro, 2016 "Se tá pago, tá pago!"

Os incidentes de percurso da juventude quando a cabeça vê o que quer. As duas cabeças, isto é.

A expressão do título remonta aos meus tempos de tropa, quando queríamos enunciar a nossa determinação face a algo inesperado na altura que tomámos uma decisão. Isto inclui a decisão de foder algo ou alguém.

Nunca aqui tinha contado algo dos meus tempos de farda azul ou branca, mas as navegações por esse mare nostrum fora trouxeram-me bastantes sorrisos de pila e amargos de boca. Sim, a expressão uma namorada em cada porto adequa-se a muito boa gente mas não era o meu caso na altura. O pêlo na venta da juventude trazia-me mais tesão por um copo vazio do que por um preservativo cheio e entre os ocasionais marmelanços em discotecas, poucas foram as vezes que concretizei o acto em si a 100%.

Por entre bifas a sul e vikings a norte, tenho memória de uma situação bastante caricata por terras de trevos, whisky e gemidos gaélicos. Mandava a tradição do seguinte ao corajoso marujo tuga: “espatifa toda a cona que puderes no menor tempo possível e honra o teu país”.

Ora, eu como sou muito bem mandado e sempre honrei a pátria que me contemplava, decidi meter mãos à obra. Os pubs populavam de cona etílica e metade do trabalho já estava feito à partida porque aquelas gajas fodem com tudo o que mexe (e mesmo quando não mexe). Como de habitual, tinha comigo os meus habituais comparsas da caça-conil a servir de vigias a potenciais alvos para a minha peça de 21 centímetros disparar a sua munição branca. Um dos problemas do excesso de oferta, é não saberes para onde te deves virar e durante algumas horas a única coisa que consegui foder foi o dinheiro que tinha comigo na carteira.

Eram cerca de umas 3 da manhã quando damos de caras com 3 amigas em plena risada no meio da rua. Apenas um de nós conseguia dizer algo de jeito e lá se manda a última cartuchada ainda presente no carregador verbal para ver se caía alguma coisa na rede. Lá as gajas nos acham piada e cada um se atraca à sua de forma natural, ficando eu com a que vestia melhor de cara, se bem, com uma anca larga para o meu gosto (sou esquisitinho).

Eu não ia deixar este peixinho escapar do meu anzol de testosterona e estava disposto a tudo para o trazer para dentro do balde.

Reparei, no entanto, que os meus camaradas estavam a rir um pouco de nós os dois à medida que descíamos uma avenida a falar vá lá saber-se do quê. Deixam-me a sós com ela e lá zarpam para outras andanças cada um com a sua. Diz-me a moça num inglês de sotaque carregado díficil de entender para os meus ouvidos cheios de whisky, que o apartamento dela era perto e convida-me a acompanhá-la. Chegando perto de uma rua depois de outra que cruza com outra e depois com outra (já nem sabia onde estava), subimos para um 2º andar algo escuro. Entramos no apartamento e sou convidado a esperar por ela no sofá enquanto a mesma se ia refrescar. Por ali me deixo ficar a olhar para tudo à minha volta, tentando encontrar as diferenças entre as decorações usadas numa casa por esta gente e os nossos gostos portugueses. Difere. Muito.

Ela volta já em trajes menores e começamos no marmelanço de ocasião até que sou encaminhado para o quarto para elevarmos o nível da coisa. Assim que entro, jogo-me para a cama julgando que ela me ia acompanhar mas, para supresa minha, vejo-a a sentar-se na cama e a começar a mexer na perna. Oh sim, meus amigos. Aqui é que a minha dureza estava a ser posta à prova: ela tinha uma prótese e estava a desatarrachar a perna esquerda.

“Foda-se, vou foder uma manca!” - pensei eu.

Não que fosse impeditivo de muito, mas ela não tinha metade de uma perna e já exibia um coxear há algum tempo (por isso os outros estavam a rir) que lhe dava um andar cómico que eu nem tinha reparado com a moca.

“Tá pago, tá pago”, lembrei-me eu desta célebre frase da Briosa. E, pensando bem, até daria para umas invenções a nível das posições. Mas eu sou um gentleman e decidi fazer as coisas como deve ser com esta quase mulher inteira: vou-lhe espetar um minetão daqueles bem lambuzados, totalmente à português.

Foda-se, estou a representar o meu país!

Assim que enfio o rumo para uma rota mais a sul, encontro umas cuecas muito foleiras mas a cheirar a limpo. Demais. Não pensei. Siga a Marinha. Tiro-as devagar, enfiando-lhe um dedo. Vejo-a espernear… mais ou menos! Assim que aproximo a língua do tesouro do barba Azul, sou surpreendido com um sabor algo asséptico. A cada lambidela que dava, ficava cada vez mais com a sensação que estava a lamber um sabonete. E ao que parece estava mesmo: olhando melhor de perto, encontrei vários flocos de sabão azul e branco (ou semelhante) na cona da gaja. A menina com as pressas, lavou mal a tchona e deixou aquilo tudo cheio de restos e ficou com uma, literalmente, “cona de sabão”.

Estão a visualizar? Eu a agarrar num coto com uma mão e sujeito a transformar aquele quarto na festa da espuma com os meus movimentos de língua. Sim, lambi. Sim, fodi.

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

Os vossos impostos pagaram isto e era um crime lesa-pátria eu não espetar um fodão na coxa.

Regressei ao navio ainda de madrugada de tomate vazio e boca limpa (pudera!) e com a sensação de missão cumprida.

Por isso, quando defronte de uma adversidade sexual hoje em dia, eu penso sempre: calma Noé… ela podia ser coxa e ter uma cona de sabão.

E oiço o hino em fundo.

Até quarta e boas fodas.

Noé

Noé

Noé

Trintão miúdo de coração ao pé da boca. Perdido em fantasias concretizadas e concretizáveis apenas preso por amarras do anonimato. Relatos passados de opinião libertina é um santo pecador por excelência.

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