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17 fevereiro, 2014 Um negro na noite, Ep 69 ao Ep 73

   * SEXAGESIMO NONO *

Despertei eram dez horas. No lugar de Isabel o Dorminhoco fazia jus ao seu nome. Esperguicei-me recuperado que estava após um sono reparador. Na mesa da sala um bilhete: "dormias como um santinho como se algum dia o foste..." Na rubrica o baton duns lábios. Agora o banho e um salto à Fábrica. Antes um café no Silva: "- Hoje a menina Isabel saiu cedo."  "- É assim amigo Silva. Logo à noite vai de viagem." Já na Fábrica Laura trouxe-me o expediente e por lá fiquei até às duas.  
Tudo sobre rodas. O Fonseca veio dar dois dedos de prosa. Convidei a minha secretária para almoçar e como eu não voltaria cada um seguiu no seu carro.   

   * SEPTUAGÉSIMO *
  
Fomos ao Monumental. Lá estavam a Laura Alves e o Paulo Renato que logo me contou a ultima fofoca dos bastidores da teatrice.  Uma bela gargalhada. Bacalhau à Brás recomendado pelo sr. Calado. Falámos de coisas vagas e da vida sexual. Laura gostava de me picar e eu fazia-lhe a vontade. Tinha um namorada há anos. Engenheiro na Sacor, bom rapaz, mas na cama "um pãozinho sem sal..."  "- Tudo ao natural. 
Nada de variantes" queixava-se. Para ele uma mamada, um minete, um 69 ou um enrabanço para ele eram tabus. Escutei as suas lamentações e tentei confortá-la como já tantas vezes fizera. Riu-se mostrando uns belos dentes bem alinhados. Por volta das quatro despedimo-nos e cada um seguiu o seu caminho.             



   * SEPTUAGÉSIMO PRIMEIRO *
  
Aproveitei a tarde para alinhas os livros por temas e os discos que andavam um pouco desalinhados. Limpei-os cuidadosamente e fiquei a mirar a minha obra. Mudei de roupa e fui até ao café.     "- Aqui estão os jornais." Agradeci e pedi uma imperial. O bacalhau do almoço, um pouco salgado, convidava a um mata-sede. Li as gordas e um ou outro artigo mais ou menos convincente. Arrumei-os. O Silva, sala vazia, veio sentar-se à minha mesa. Certinho: vinham novidades! Dito e feito. 
"- Já sabe a última doutor?" E continuou: "- Lembra-se daquele puto filho da parteira que mora no 18?" 


   * SEPTUAGÉSIMO SEGUNDO *
  
Tinha uma ideia:      "- Sim,sim. Um rapazote, alto, aloirado?" "- Esse mesmo, doutor. Pois olhe foi caçado na sua escada a ir ao cu à D.Benvinda." Atirei uma gargalhada: "- Ao cu? Boa! "  O Silva nem me ouviu:  "- E sabe quem é que os apanhou? As duas beatas..." Dobrei o
gozo: "- O quê? Aquelas duas virgens papa-hóstias que moram no quinto?"  "- Essas mesmo. Mas o pior é que vieram p'rá rua, aos gritos, contando alto e a bom som ao que tinham visto."          
Eu na parava de rir.  "- Foi um charivari de se lhe tirar o chapéu.. .E gente aos magotes."            Nisto entrou um grupo. O Silva foi atendê-los. Aproveitei. Um até-logo de raspão e dirigi-me ao Bar do Max para jantar ainda me divertindo com aquela diatribe acotecida num severo e conservador Bairro da Alta de Lisboa.      



   * SEPTUAGÉSIMO TERCEIRO *
  
A sala de jantar estava vazia. Do bar vinham vozes ensaiando a longa noite que se avizinhava. Ataquei o bife tártaro. Entrou um casal que se alojou na mesa ao lado da minha. Uma loiraça de fazer parar o transito. O companheiro, bem tisnado pelo Sol, alto, envergava um fato clássico que constratava com o leve e atrevido vestido que a envolvia. 
Sentaram-se. Olhei de soslaio e ela mandou-me um sorriso cumplice ao mesmo tempo que afagava os seios erectos e bem torneados. Acabei o tártaro e pedi um café e um whiskey. A noite caira há muito. Consultei o relógio. Dez horas. Nisto a "boazona" levantou-se e, quasi se roçando em mim, caminhou para os lavabos com um olhar convidativo. 
Aguardei um momento e não perdi tempo.              

Lingua de Radar

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