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26 julho, 2015 Posto de Trabalho: a prostituição à beira da estrada

Fotografias sem gente, mas com demasiada gente dentro...

"Posto de Trabalho" é uma exposição que nos mostra um dos lados mais duros, perigosos e menos dignos do trabalho sexual: a prostituição de beira de estrada. É assim que o fotógrafo Valter Vinagre fala deste projecto que nos mostra os "jardins proibidos" das trabalhadoras do sexo invisíveis...

Posto de Trabalho: a prostituição à beira da estrada

A exposição fotográfica "Posto de Trabalho", de Valter Vinagre, está disponível ao público até 20 de Setembro deste ano no Museu da Electricidade, em Lisboa.

As imagens que podemos encontrar neste trabalho fotográfico são de uma sensibilidade única e mostram-nos o "Posto de Trabalho" das trabalhadoras do sexo de berma de estrada.

Sem que elas marquem presença em nenhum das fotografias, nós sentimos a sua existência pelas lentes de Valter Vinagre que cria cenários verdadeiramente bucólicos e desoladoramente trágicos.

Veja como o próprio fotógrafo resume aquilo que preside a este projecto "Posto de Trabalho"...

"As fotografias que apresento nesta série - «Posto de trabalho» - não mostram gente, mas é de gente que falam.

Temos espaços e construções de aspeto efémero que abrigam e ocultam uma atividade laboral subterrânea.

Através destas imagens procuro falar da prática de prostituição numa das suas vertentes - talvez a mais dura, perigosa e menos digna para as suas trabalhadoras e clientes.

Falar da prostituição de berma de estrada implica refletir da sua dualidade público/privado.

É público, porque se anuncia/mostra na berma de estrada. É privado, porque as suas práticas se fazem longe de olhares indiscretos, no recato da floresta, no interior de abrigos improvisados.

A série “Posto de trabalho”, foi realizada em Portugal nos anos de 2010 a 2013."

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O Comissário da exposição, João Pinharanda, fala de "Posto de Trabalho" num texto intitulado "O jardim dos caminhos que se bifurcam" que serve de apresentação para este trabalho fotográfico e que resume, de forma bem apurada, aquele que é o traço filosófico-social das fotografias de Valter Vinagre...

"... Estes não são jardins paradisíacos e também não lugares infernais – são, simplesmente, espaços devastados, longe de todas as possibilidades de sagração ou maldição. Neles, onde nenhuma “cabana para pensar” poderá ser construída, abrem-se novos entendimentos antropológicos da realidade natural, afastando-nos da relação tradicional do humano e do sobrenatural com o natural. Estamos perante lugares naturais com vestígios de ocupação; e, porque nenhuma figura neles se apresenta, poderia ainda manter-se a hipótese de serem lugares habitados por entidades mágicas que se escondem à presença de um olhar humano."

Motivos mais do que suficientes para passar pelo Museu da Electricidade para visitar esta exposição que apresenta o trabalho sexual de berma de estrada como nunca se viu antes. Ou melhor, como a sociedade prefere fingir que não vê - com as trabalhadoras do sexo invisíveis, mas ainda assim bem presentes.

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Valter Vinagre é um fotógrafo natural de Avelãs de Caminho, na Anadia, com várias exposições individuais e colectivas no currículo. Se inicialmente o seu olhar sobre o real se lia como essencialmente documental, de registo, nos últimos anos o fotógrafo tem optado por uma leitura mais poética e encenada da realidade que o toca e inspira.

Gina Maria

Gina Maria

Moça católica e de boas famílias, apaixonada por secretas fantasias, eternamente interessada em mais, mais, mais...

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