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23 novembro, 2013 Um negro na noite, Ep 24 ao Ep 28

   * VIGÉSIMO QUARTO EPISÓDIO *
 
Regressei, agora só, à varanda. A vivenda era toda murada. A piscina tinha pelo menos vinte metros e era em forma de coração com fundo rosa. Uma prancha de saltos, mesas, cadeiras e guarda-sois multicores preenchiam um relvado bem cuidado.
Ao fundo um bar, em palhinha da Madeira, com quatro bancos. Para lá dos muros o Tejo completava aquele paraiso edénico. O Bugio atento aos barcos. Regressei à inspecção interna. Uma garagem para, pelo menos, cinco carros e um pagode chinês, estilo casa de chá, completavam o cenário. Por gestos alguém me acenou. A Mimosa: "- Vem-te banhar..."  Disse-lhe que sim e emtrei no duxe.Vesti-me passando, antes, um nico de água de Colónia pelo corpo. Desci e saudei os "compagnons de route"

   * VIGÉSIMO QUINTO EPISÓDIO *

Estavam todos menos a Helen.
Perguntei por ela. O motorista viera buscá-la para um jantar diplomático.  "Noblesse Oblige." Estiquei-me num cadeirão e deixei que os raios quentes, dum outono atrazado, me cortejassem a pele. Estava quasi a dormir quando senti, na cara, uma vulva gostosa. Lábios vermelhos e um grelo saliente, apetecivel. Era Michelle. Não perdi tempo e chupei-o com vigor. Contorcia-se de prazer. Não sei quantas vezes se veio. Muitas. Saiu de cima de mim, disse "mercie" e saltou, tal corsa, para a piscina. A meu lado, com um sorriso, Mimosa ofertava-me um copo de vinho tinto. Lambeu-me a boca para receber o que restava da pachacha da francesa e foi buscar aperitivos: "- Dormes cá?"  indagou. Mirei-a de alto a baixo: "- Nunca se sabe..."


   * VIGÉSIMO SEXTO EPISÓDIO *
 
A tarde ia-se pondo. A mundança da hora anunciava que a anoitecia mais cedo. No hoizonte, para lá do mar, a enorme bola que nos dá a vida tingia-se num vermelho crepusculo. Um amigo do cara-de-menina apareceu para buscar os  convivas. Margot e Emidio repetiram uma pergunta que era uma imposição que já escutara horas antes: "- Tu ficas. És um convidado-residente..." Não valia nem me apetecia recusar. "- E vamos jantar a Os Arcos. Já fiz a reserva" revelou o Emidio. Eu conhecia bem o restaurante quando, em outros carnavais, andara de amores promiscuos com uma bulgara ainda aparentada com o Rei Semeão e que era mais louca do que a loucura. Era casada com um Conde que adorava vê-la fornicar com vários ao mesmo tempo enquanto se masturbava. Estou em crer que meia população macho da vila morou naquela praia. Foram para os Estados Unidos e nunca mais ninguém soube deles.       

 
   * VIGÉSIMO SÉTIMO EPISÓDIO *

Ficáramos os quatro. Fomos até ao escritório - sala de estudo como dizia Mimosa - tomar um whiskey e dar um dedo de coversa. Faziamos horas para avançarmos para Os Arcos.
No vazio indagava-me: " Mimosa governante? Ná...aqui há  história..." Naquela noite ia tirar nabos da pucara. Vimos o telejornal. Noticia de abertura "um terramoto na China provoca 37 mortos." Haja Deus! 37 mortos na China é noticia de 1a.Página cá?
Fumámos mais um charro para descontrair e rumámos aos quartos para a vestimenta adequada. Cheguei ao meu. Pendurado num cabide um fato de linho azul e uma camisa do mesmo tecido. Uma gravata a condizer e meias de seda pretas. Assentava-me como luva. Não era de estranhar. O Emidio e eu éramos da mesma estatura. Desci ao salão. Um assobio vindo da Margot saudou-me. Fomos no seu Jeep. Era noite de copos e ela pouco bebia.  


   * VIGÉSIMO OITAVO EPISÓDIO *
 
Arrumámos o carro no estacionamento que ladeia o Jardim. A Lua abençoávamo-nos. Parei e olhei "para lá". Mimosa pegou-me no braço:  "-'tá olhando o quê?Triste?"  "- Não. É que passando aquela esplanada está um rinque de patinagem onde muitas vezes joguei".        "- Você jogou hoquei patinado? "- Sim. Quando era jovem..." Beliscou-me: "- Você é sempre jovem. E com esse terno ainda mais lindo."  Seguimos a pé mordiscando aquele outono-estival. Entrámos. O velho Duarte, o dono, festivou o Emidio: "- Caro engenheiro. Margot. Mimosa. Já pensava que não vinham."  Então reparou em mim: "- Doutor! Há quanto tempo..." Abraço sentido. "- É verdade. Desde o bacilo-bulgaro..." lembrei.
Gargalhou sonoramente. Ele conhecera bem o filme. Acompanhou-nos até à mesa: "- Para o nosso doutor, como de costume, um bife tártaro." "- Enganou-se amigo Duarte. Hoje vou, também, na caldeirada".
Esgueirou-se. Mimosa com um sorriso traquina: "- Você é mesmo um carioca da favela. Um bom malandro.

Lingua de Radar

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